| Eu e a Laura na comunidade Sao Francisco |
Me chamo Lucia Lotufo, tenho 18 anos e moro em Sao
Paulo com a minha família. Meus pais sempre foram uma forte influencia para
mim, me ensinaram um jeito único e maravilhoso de ver a vida e as pessoas. Eles
se conheceram porque trabalhavam com mutirão de construção de casas populares,
e a vida inteira se dedicaram a trabalhos voluntários ou sociais.
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Meus pais em uma construção do
TETO!
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Quando eu estava no ensino médio, estudei bastante
sobre o capitalismo e a nossa sociedade atual. Escrevia um jornalzinho com duas
amigas, que fazia criticas de noticas, politica economia e também ONGs e
trabalhos sociais; isso me fez procurar ações mais concretas de mudança do que
apenas escrever.
Foi no terceiro colegial que minha prima me contou de
uma ONG chamada TETO, falou que eles construíam casas
em comunidades carentes e que parecia legal. No mesmo dia entrei no
site e consegui me inscrever para a construção Latino Americana em novembro de
2011. Eu lembro dessa construção como se fosse hoje, eu nãoacreditava que podia
existir uma ONG dessas, que tantas pessoas se juntavam em um fim de semana,
discutiam a pobreza, refletiam sobre a vida e suas ações e ainda ajudavam uma
família a melhorar de vida.
A partir dessa construção não sai mais do TETO.
Fui aos poucos me envolvendo mais e mais nos trabalhos e entendendo como
funcionava a organização. Em 2012 fui chamada para coordenar a construção em
uma comunidade chamada São Francisco, onde construímos 11 casas. Foi acho que a
coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida. Eu cheguei lá sem saber
muito bem como agir, o que fazer.. Precisava conhecer as famílias e encontrar
pessoas que realmente que quisessem participar do TETO e que eu achava que iam
mudar sua vida a partir desse trabalho. Com isso, conheci pessoas maravilhosas,
com estórias de vida tristes, mas que são batalhadoras, corajosas, e muito mais
do eu imaginava, acreditam e lutam para melhorar sua vida e das pessoas a sua
volta.
Comunidade Sao Francisco
O TETO solidificou em mim o sentimento de que
vivemos em uma sociedade injusta, onde as oportunidades são divididas de forma
extremamente desigual, mas que ainda eh uma sociedade com pessoas fortes, que
pensam e refletem sobre sua condição, que temos o dever de lutar para que todos
possam, no mínimo, viver com dignidade. Além disso, me mostrou que eh sim
possível mudar as coisas, que juntos somos uma forca extraordinária.
Comunidade Sao Francisco!
Além disso, no TETO aprendi muito sobre
relacionamentos. Ter que conversar com tantas pessoas desconhecidas, encontrar
pessoas na comunidade e tentar entender elas, passar a confiança do trabalho
com o TETO mas mais do que isso, estar la para ouvir suas duvidas, seus sonhos,
suas historias.. Algo mudou em mim quando me dispus inteiramente a ouvir as
pessoas e mais nada, ser quem chega inesperadamente apenas com um sorriso no
rosto, um pouco de sono e muita pasciencia e tempo para conhecer cada um que
estava tabalhando com o TETO e não so isso, mas todos os moradores da São
Francisco. A possibilidade de conhecer tanta gente diferente, com ideias
diferentes e de classes sociais distintas mudou muito o jeito que eu olho e
entendo as coisas. Hoje sei que tenho um pouco mais de jogo de cintura, que
consigo manter a calma em situações de stress e, acima de tudo, encontrar uma
solução de problemas em trabalho em equipe.
Com o TETO, eu aumentei a minha vontade e necessidade
de trabalhar com ações sociais. Resolvi fazer Relações Internacionais pela
minha educação, pelo que eu espero da vida e de um trabalho e também pela
experiência no TETO. Estudando os conflitos da nossa sociedade, comecei a
entender que muitas coisas ruins só acontecem porque temos um sentimento forte
de pais, de competição, um jogo de interesses e busca pelo poder pelos quais
países e pessoas não hesitam em explorar outros. Entendi que guerras cambiais,
empresas multinacionais, etc maqueiam uma integração mundial. Temos um mercado
mundial, um consumo internacional, e uma certa homogeneidade cultural, mas eh
difícil falar em sociedade mundial. O fechamento em grupos ou nações acaba
limitando as sociedades simplesmente por países, esquecendo que somos todos
pessoas, com necessidades vitais, direitos e desejos, tornando-nos egoístas e
muitas vezes nos omitindo diante de injustiças, guerras, explorações. O motivo
mais forte porque eu decidi fazer Relações Internacionais eh porque eu acredito
que uma integração social eh o único modo de acabarmos com as injustiças e
desigualdades.
Além de tudo isso, meus pais também me ensinaram
ou apresentaram o trabalho manual. Quando estou desenhando,cozinhando,
costurando, escrevendo ou criando alguma coisa eh quando eu me sinto bem,
quando eu consigo não pensar em nada e acalmar a mente. Gosto muito desse tipo
de trabalho, mas muitas vezes acabo me envolvendo com tantos projetos que acabo
deixando isso de lado, esquecendo o quanto me faz bem.
Acho que uma das minhas características mais fortes eh
me interessar por muitas coisas diferentes. Acho a coisa mais incrível do mundo
conhecer pessoas, culturas, viajar... Leio diversos tipos de livros, procuro
sempre entender como funciona a vida em lugares diferentes da onde eu movo,
quero entender as pessoas e como elas se relacionam.. Quando eu conheço algo
novo que me deixa entusiasmada, tenho a necessidade de me jogar, de viver
intensamente as novas experienciais.
Por esse e muitos outros motivos que eu percebi que
preciso buscar cada vez mais o equilíbrio. Preciso juntar todas as coisas que
eu gosto e sem ansiedade procurar fazer um pouco de cada; aproveitar os amigos,
mas também a família, continuar com o trabalho voluntario, mas diversificando o
modo de atuação, ter um tempo para cuidar de mim, mental e fisicamente e acima
de tudo procurar sempre aprender e viver coisas novas. Acho que o jeito com o
qual a gente se relaciona com as pessoas a nossa volta e encara os desafios
depende muito de como estamos com nos mesmos, nossas relações são de certa
forma um espelho de como estamos nos sentindo ou buscando. A busca pelo
equilíbrio espiritual tem que ser diária e estou tentando tornar isso parte do
meu cotidiano.
Tentei escrever um pouco sobre mim, foi bem difícil!
Eh estranho ter que pensar como você eh, como você ve o mundo e as coisas que
estão a sua volta e transformar isso em palavras. Esse foi para mim um grande
exercício de autoconhecimento e reflexão.
Eu e minhas irmãs! Somos as três muito diferentes umas das outras, mas
ainda sim, as melhores amigas imagináveis...



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