terça-feira, 12 de março de 2013

um pouco sobre mim...




Eu e a Laura na comunidade Sao Francisco

 
Me chamo Lucia Lotufo, tenho 18 anos e moro em Sao Paulo com a minha família. Meus pais sempre foram uma forte influencia para mim, me ensinaram um jeito único e maravilhoso de ver a vida e as pessoas. Eles se conheceram porque trabalhavam com mutirão de construção de casas populares, e a vida inteira se dedicaram a trabalhos voluntários ou sociais.



 Meus pais em uma construção do TETO!
Quando eu estava no ensino médio, estudei bastante sobre o capitalismo e a nossa sociedade atual. Escrevia um jornalzinho com duas amigas, que fazia criticas de noticas, politica economia e também ONGs e trabalhos sociais; isso me fez procurar ações mais concretas de mudança do que apenas escrever.  

Foi no terceiro colegial que minha prima me contou de uma ONG chamada TETO, falou que eles construíam casas em comunidades carentes e que parecia legal. No mesmo dia entrei no site e consegui me inscrever para a construção Latino Americana em novembro de 2011. Eu lembro dessa construção como se fosse hoje, eu nãoacreditava que podia existir uma ONG dessas, que tantas pessoas se juntavam em um fim de semana, discutiam a pobreza, refletiam sobre a vida e suas ações e ainda ajudavam uma família a melhorar de vida.

 A partir dessa construção não sai mais do TETO. Fui aos poucos me envolvendo mais e mais nos trabalhos e entendendo como funcionava a organização. Em 2012 fui chamada para coordenar a construção em uma comunidade chamada São Francisco, onde construímos 11 casas. Foi acho que a coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida. Eu cheguei lá sem saber muito bem como agir, o que fazer.. Precisava conhecer as famílias e encontrar pessoas que realmente que quisessem participar do TETO e que eu achava que iam mudar sua vida a partir desse trabalho. Com isso, conheci pessoas maravilhosas, com estórias de vida tristes, mas que são batalhadoras, corajosas, e muito mais do eu imaginava, acreditam e lutam para melhorar sua vida e das pessoas a sua volta.


Comunidade Sao Francisco


 O TETO solidificou em mim o sentimento de que vivemos em uma sociedade injusta, onde as oportunidades são divididas de forma extremamente desigual, mas que ainda eh uma sociedade com pessoas fortes, que pensam e refletem sobre sua condição, que temos o dever de lutar para que todos possam, no mínimo, viver com dignidade. Além disso, me mostrou que eh sim possível mudar as coisas, que juntos somos uma forca extraordinária.
                                                                                                    Comunidade Sao Francisco!

Além disso, no TETO aprendi muito sobre relacionamentos. Ter que conversar com tantas pessoas desconhecidas, encontrar pessoas na comunidade e tentar entender elas, passar a confiança do trabalho com o TETO mas mais do que isso, estar la para ouvir suas duvidas, seus sonhos, suas historias.. Algo mudou em mim quando me dispus inteiramente a ouvir as pessoas e mais nada, ser quem chega inesperadamente apenas com um sorriso no rosto, um pouco de sono e muita pasciencia e tempo para conhecer cada um que estava tabalhando com o TETO e não so isso, mas todos os moradores da São Francisco. A possibilidade de conhecer tanta gente diferente, com ideias diferentes e de classes sociais distintas mudou muito o jeito que eu olho e entendo as coisas. Hoje sei que tenho um pouco mais de jogo de cintura, que consigo manter a calma em situações de stress e, acima de tudo, encontrar uma solução de problemas em trabalho em equipe.

Com o TETO, eu aumentei a minha vontade e necessidade de trabalhar com ações sociais. Resolvi fazer Relações Internacionais pela minha educação, pelo que eu espero da vida e de um trabalho e também pela experiência no TETO. Estudando os conflitos da nossa sociedade, comecei a entender que muitas coisas ruins só acontecem porque temos um sentimento forte de pais, de competição, um jogo de interesses e busca pelo poder pelos quais países e pessoas não hesitam em explorar outros. Entendi que guerras cambiais, empresas multinacionais, etc maqueiam uma integração mundial. Temos um mercado mundial, um consumo internacional, e uma certa homogeneidade cultural, mas eh difícil falar em sociedade mundial. O fechamento em grupos ou nações acaba limitando as sociedades simplesmente por países, esquecendo que somos todos pessoas, com necessidades vitais, direitos e desejos, tornando-nos egoístas e muitas vezes nos omitindo diante de injustiças, guerras, explorações. O motivo mais forte porque eu decidi fazer Relações Internacionais eh porque eu acredito que uma integração social eh o único modo de acabarmos com as injustiças e desigualdades.

 Além de tudo isso, meus pais também me ensinaram ou apresentaram o trabalho manual. Quando estou desenhando,cozinhando, costurando, escrevendo ou criando alguma coisa eh quando eu me sinto bem, quando eu consigo não pensar em nada e acalmar a mente. Gosto muito desse tipo de trabalho, mas muitas vezes acabo me envolvendo com tantos projetos que acabo deixando isso de lado, esquecendo o quanto me faz bem.

Acho que uma das minhas características mais fortes eh me interessar por muitas coisas diferentes. Acho a coisa mais incrível do mundo conhecer pessoas, culturas, viajar... Leio diversos tipos de livros, procuro sempre entender como funciona a vida em lugares diferentes da onde eu movo, quero entender as pessoas e como elas se relacionam.. Quando eu conheço algo novo que me deixa entusiasmada, tenho a necessidade de me jogar, de viver intensamente as novas experienciais.



Por esse e muitos outros motivos que eu percebi que preciso buscar cada vez mais o equilíbrio. Preciso juntar todas as coisas que eu gosto e sem ansiedade procurar fazer um pouco de cada; aproveitar os amigos, mas também a família, continuar com o trabalho voluntario, mas diversificando o modo de atuação, ter um tempo para cuidar de mim, mental e fisicamente e acima de tudo procurar sempre aprender e viver coisas novas. Acho que o jeito com o qual a gente se relaciona com as pessoas a nossa volta e encara os desafios depende muito de como estamos com nos mesmos, nossas relações são de certa forma um espelho de como estamos nos sentindo ou buscando. A busca pelo equilíbrio espiritual tem que ser diária e estou tentando tornar isso parte do meu cotidiano.

Tentei escrever um pouco sobre mim, foi bem difícil! Eh estranho ter que pensar como você eh, como você ve o mundo e as coisas que estão a sua volta e transformar isso em palavras. Esse foi para mim um grande exercício de autoconhecimento e reflexão.




Eu e minhas irmãs! Somos as três muito diferentes umas das outras, mas ainda sim, as melhores amigas imagináveis...



 



 

Nenhum comentário:

Postar um comentário